quinta-feira, 26 de novembro de 2009

As Escolhas...

Um dia uma pessoa disse-me que antes de nascermos era nos dado alguns caminhos a escolher, cada um deles com as suas adversidades e alacridades, porém todos eles tinham como finalidade a felicidade final de cada um de nós.
No momento não pensei nessas palavras, foram como tantas outras que entram nos ouvidos dão duas voltas e voltam a sair, mas foram essas duas voltas que, quando à noite estava no momento de reflexão, me vieram ao pensamento e me fizeram permanecer por mais algumas largas horas acordada. Tentei lembrar-me do dia em que me deram as cartas dos caminhos, e eu escolhi este, terá sido uma escolha consciente ou terei tirado uma das sete cartas à sorte? Porquê sete? Não sei bem, mas associei cada caminho a um pecado mortal, devaneios...Adiante, escusada será dizer que por mais força que fizesse ao tentar lembrar-me desse momento foi-me impossível traze-lo de novo à minha memória...O caminho que escolhi foi sem dúvida o correto, apesar das pedras que vão aparecendo serem por difíceis de saltar eu não as escolhi... não pedi que fossem estas, não podemos decidir tudo. Não escolhi as infelicidades, as ausências permanentes, as tristezas, as mágoas, as desilusões, os fins, as dores... e as despedidas. Todas estas palavras que transportam sentimentos negativos já fizeram e continuam a fazer parte do meu dicionário diário e o que me dá mais força é torna-las em antónimos delas mesmas. Penso que apesar de impossível em algumas situações é a forma mais correcta de encarar cada circunstância.
Mas o mais difícil é ter sempre presente uma ausência...

Ana Luiza

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Aqui

Aqui eu nunca disse que iria ser
A pessoa certa pra você, mas sou eu quem te adora...
Se fico um tempo sem te procurar
É pra saudade nos aproximar
E eu já não vejo a hora...
Eu não consigo esconder, certo ou errado eu quero ter você
Ei, Você sabe que eu não sei jogar,
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar a estrada, o quarto, a casa onde você está
Não da pra ocultar, algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar, te fazer me enxergar e se enxergar em mim
Aqui... agora que você parece não ligar
Que já não pensa e já não quer pensar
Dizendo que não sente nada
Estou lembrando menos de você
Falta pouco pra me convencer que sou a pessoa errada
Eu não consigo esconder
Certo ou errado eu quero ter você
Ei, você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não da pra disfarçar, eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar a estrada, o quarto, a casa onde você está...
Não da pra ocultar, algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar, te fazer me enxergar e se enxergar em mim
Em mim... Aqui...
Ana Carolina

A Feira de Finanças...

Nossa Feira de Finanças foi mto melhor do que eu esperava, td mundo feliz, a cumplicidade dos amigos, a saudade antecipada de alguns que terminam agora... e a vitória mais que merecida de dois grupos da minha sala, melhor, de dois grupos que fazem parte os amigos mais especiais da faculdade... incrível como todo mundo vibrou junto com a vitória da Pousada Vista do Mirante e da Smalquality, foi demais ver td mundo num abraço em conjunto, numa emoção incontida, sorrisos, lágrimas, felicidade verdadeira pelo merecimento, pelo esforço recompensado, meu grupo não ganhou, mas vê-los chegar lá, foi como se eu tivesse conseguido tb...

Parabéns aos amigos... Alejandro, Jessica, Rafa, Paulinha, Luciano, Fabíola, Leonardo, Milena, Maria, Kelly e Mila...

Ana Luiza








terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Valor das Coisas...

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem...
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis...
Fernando Pessoa

sábado, 14 de novembro de 2009

Cativar...

Quem és tu?... Perguntou o principezinho ... Tu és bem bonita ...
Sou uma raposa ... ela respondeu ...
Príncipe: vem brincar comigo ... estou triste.
Raposa: eu não posso brincar contigo!
Não me cativaram ainda.
Príncipe: ah! desculpe-me... o que quer dizer "cativar"?
Raposa: tu não és daqui ... que procuras?
Príncipe: procuro amigos ... que quer dizer "cativar"?
Raposa: é uma coisa muito esquecida ... significa criar laços.
Príncipe: criar laços ?
Raposa: Exatamente!
Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos!
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma simples e mortal raposa igual a cem mil outras raposas.
Ah!!!Mas se tu me cativas...
nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo, e eu serei para ti a única no mundo...
E a raposa continuou... Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco.
Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol... Conhecerei seus passos, um barulho que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca...
Será como música aos meus ouvidos... E, depois, olhai! Ves lá longe os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma... e isso é triste!
Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti...
E eu amarei o som do vento que passa no trigueiral...
Por Favor, Cativa-me!!!
Bem quisera . . . disse o principezinho . . . mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas outras coisas para conhecer.
A gente só conhece bem as coisas que cativa . . . disse a raposa...
Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma.
Compram tudo prontinho nas lojas.
Mas como não existem lojas de amigos, os homens não tem mais amigos.
Se tu queres um amigo... anda ... vamos lá ...
cative-me !!!
Que é preciso fazer? ... perguntou o principezinho ...

É preciso ser paciente.
... respondeu a raposa...
Tu te sentarás primeiro, um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto dos olhos e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas a cada dia, tu te sentarás cada vez mais perto.. e...
No dia seguinte o principezinho voltou. Teria sido melhor voltares a mesma hora ... disse a raposa...
Se tu vens, por exemplo, as quatro horas da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.
Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz.
As quatro horas então... estarei inquieta e agitada. Descobrirei o preço da felicidade.
Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...
- quis!!! ... disse a raposa...
Príncipe: - mas tu vais chorar ?
- vou. ...disse a raposa...
- então não sairás lucrando.
... disse o principezinho...
- Eu lucro sim!!! ... disse a raposa...
por causa da cor de teus cabelos, ao olhar os campos de trigo...
tu estarás sempre presente em meu coração...

Moral da história:
AMIZADES são feitas de pedacinhos.
Pedacinhos de tempo que vivemos com cada pessoa.
Não importa a quantidade de tempo que passamos, mas a qualidade do tempo que vivemos com cada uma.
Cinco minutos podem ter uma importância muito maior do que um dia inteiro.
Assim, há amizades que são feitas de risos e dores compartilhados; outras de escola; outras de saídas, cinemas, conversas, diversões; há ainda aquelas que nascem e a gente nem sabe de quê, mas que estão presentes.
Talvez essas sejam feitas de silêncios compreendidos, ou de simpatia mútua sem explicação.
Aprendemos a amar as pessoas sem julgá-las pela sua aparência ou modo de ser, sem que possamos (e fazemos isso inconscientemente, às vezes) etiquetá-las.
Há amizades profundas criadas assim.

Saint-Exupéry disse:

"Foi o tempo que perdestes com tua rosa que fez tua rosa tão importante".

E eu digo que é o tempo que ganhamos com cada amigo que faz cada pessoa tão importante. Porque tempo gasto com amigos é tempo ganho, aproveitado, vivido.
São lembranças para cinco minutos depois ou anos até.
Uma pessoa se torna importante pra nós, e nós para ela, quando somos capazes, mesmo na sua ausência, de rir ou chorar, de sentir saudade e nesse instante trazer o outro bem pertinho da gente.
Dessa forma, podemos ter vários melhores amigos, um diferente do outro.
O importante é saber aproveitar o máximo cada minuto vivido e ter, depois, no baú das lembranças, horas para recordar, mesmo quando estas pessoas estiverem longe dos nossos olhos.

Ana Luiza


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

As vezes é necessário virar a página...

De tanto pensar e repensar... me recordei de uma linda mensagem do Padre Fábio de Melo, que fala sobre virar a página... as vezes é necessário olhar pra tráz e ver que não se tem o que fazer... e ai chega o momento que vc nunca quer que chegue, o das decisões difíceis... fiquei pensando nas coisas ditas ao longo de todo esse tempo e percebi o mal que faço há quem tanto quero bem... com atitudes intempestivas, diálogos repetitivos, discussões desnecessárias... talvez seja dificil tolerar o meu jeito de querer achar um pq de td, ou de querer respostas a todo momento para cada ato, cada atitude, sei que há muitas coisas que preciso mudar ou melhorar, mas também estou cansada de me culpar por culpas que não tenho, mas também não quero cansar mais ninguém com meu jeito, minhas atitudes... tem horas que vc deve olhar pra dentro de si e ver o que te faz sofrer mais, se estar perto ou se estar longe... sei que é estar longe... mas acho q preciso dar paz há quem tanto amo... parar de atrapalhar e de querer pra mim... cada um tem suas vontades, cada um é responsável por suas escolhas e suas vontades, existem coisas que são inevitáveis... a vida é assim... também preciso de um pouco de paz e serenidade, não se deve implorar amor de ninguém... triste será não ir mais onde é meu lar... nem rever as pessoas que tanto gosto... mas Deus escreve certo por linhas tortas, só quero estar em paz com o meu coração, pode ser que eu não esqueça, mas talvez chegue um dia que eu pense menos, deseje menos, sonhe menos... sempre será importante na minha história... mas as vezes é necessário praticar o desapego, especialmente qdo involuntariamente as pessoas te machucam pouco a pouco com atitudes, palavras...
A vida é assim, hora de seguir em frente... e virar a página... e deixar que a pessoa que você ama, seja feliz sem você...

Ana Luiza

Eu não sei se você se recorda do seu 1º caderno...
Caderno é uma metáfora da vida.
Quando os erros cometidos eram demais, me recordo que a professora nos sugeria que virássemos a página. Era um jeito interessante de descobrir a graça que há nos recomeços!
Ao virar a página, os erros cometidos deixavam de nos incomodar e, a partir deles, a gente seguia um pouco mais crescido.

O caderno nos ensina que erros não precisam ser fontes de castigos: erros podem ser fontes de virtudes.
Na vida é a mesma coisa, o erro tem que estar a serviço do aprendizado, ele não tem que ser fonte de culpas, de vergonhas...

Nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grande sem que seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida. (...) Deus é semelhante a um caderno.
Ele nos permite os erros pra que a gente aprenda pra fazer do jeito certo.
Você tem errado muito? Não importa! Aceite de Deus esta nova página da vida chamada HOJE. Recorde-se das lições do seu 1º caderno. E se julgar necessário... ...VIRE A PÁGINA

Padre Fábio de Melo

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Juntando os cacos...

As vezes o que cabe é apenas um silêncio... meio perdida, sem saber o que fazer ou o que dizer...

Ana Luiza

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A Borboleta e o Cavalinho...



Esta é a história de duas criaturas de Deus que viviam numa floresta distante

há muitos anos atrás.

Eram elas, um cavalinho e uma borboleta.
Na verdade, não tinham praticamente nada em comum, mas em certo momento de suas vidas se aproximaram e criaram um elo. A borboleta era livre, voava por todos os cantos da floresta
enfeitando a paisagem.

Já o cavalinho, tinha grandes limitações, não era bicho solto que pudesse viver entregue à natureza. Nele, certa vez, foi colocado um cabresto por alguém que visitou a floresta e a partir daí sua liberdade foi cerceada.

A borboleta, no entanto, embora tivesse a amizade de muitos outros animais e a liberdade de voar por toda a floresta, gostava de fazer companhia ao cavalinho,
agradava-lhe ficar ao seu lado e não era por pena, era por companheirismo, afeição,
dedicação e carinho. Assim, todos os dias, ia visitá-lo e lá chegando levava sempre um coice,
depois então um sorriso.Entre um e outro ela optava por esquecer o coice e guardar dentro do seu coração o sorriso. Sempre o cavalinho insistia com a borboleta que lhe ajudasse a carregar o seu cabresto por causa do seu enorme peso.
Ela, muito carinhosamente, tentava de todas as formas ajudá-lo, mas isso nem sempre era possível por ser ela uma criaturinha tão frágil.

Os anos se passaram e numa manhã de verão a borboleta não apareceu para
visitar o seu companheiro.
Ele nem percebeu,
preocupado que ainda estava em se livrar do cabresto.

E vieram outras manhãs e mais outras e milhares de outras, até que chegou o inverno e o cavalinho sentiu-se só e finalmente percebeu a ausência da borboleta.
Resolveu então sair do seu canto e procurar por ela.Caminhou por toda a floresta a observar
cada cantinho onde ela poderia ter se
escondido e não a encontrou.Cansado se deitou embaixo de uma árvore.
Logo em seguida um elefante se aproximou e lhe perguntou quem era ele e o que fazia por ali.-Eu sou o cavalinho do cabresto e estou a procura de uma borboleta que sumiu.

-Ah, é você então o famoso cavalinho? -Famoso, eu?

-É que eu tive uma grande amiga que me disse que também era sua amiga e falava
muito bem de você.Mas afinal, qual borboleta que você está procurando?

-É uma borboleta colorida, alegre, que sobrevoa a floresta todos os dias visitando
todos os animais amigos.-Nossa, mas era justamente dela que eu estava falando.
Não ficou sabendo? Ela morreu e já faz muito tempo.

- Morreu? Como foi isso?-Dizem que ela conhecia, aqui na floresta, um cavalinho,
assim como você e todos os dias quando ela ia visitá-lo, ele dava-lhe um coice.
Ela sempre voltava com marcas horríveis e todos perguntavam a ela quem havia feito aquilo,
mas ela jamais contou a ninguém.Insistíamos muito para saber quem era o autor
daquela malvadeza e ela respondia que só ia falar das visitas boas que tinha feito naquela
manhã e era aí que ela falava com a maior alegria de você.N

esse momento o cavalinho já estava derramando muitas lágrimas de tristeza e de arrependimento.

- Não chore meu amigo, sei o quanto você deve estar sofrendo.
Ela sempre me disse que você era um grande amigo, mas entenda, foram tantos os coices que ela recebeu desse outro cavalinho, que ela acabou perdendo as asinhas, depois ficou muito doente,
triste e sucumbiu e morreu.

-E ela não mandou me chamar nos seus últimos dias?

-Não, todos os animais da floresta quiseram lhe avisar, mas ela disse o seguinte:

"Não perturbem meu amigo com coisas pequenas, ele tem um grande problema que eu nunca
pude ajudá-lo a resolver.

Carrega no seu dorso um cabresto, então será cansativo demais pra ele vir até aqui."

Você pode até aceitar os coices que lhe derem
quando eles vierem acompanhados de beijos, mas em algum momento da sua vida,
as feridas que eles vão lhe causar, não serão mais possíveis de serem cicatrizadas.
Quanto ao cabresto que você tiver que carregar durante a sua existência,
não culpe ninguém por isso, afinal muitas vezes, foi você mesmo que o colocou no seu dorso.

OBS: Qualquer semelhança com seres humanos que você conheça,pode não ser coincidência.

Autora: Silvana Duboc

...

Segredos contados
Palavras caladas
Amigos extraviados
Fotografias rasgadas
Papéis amassados
Manhãs de domingo
Ruas de pedra
Poeira da Estrada
Tempestade de raios
Linhas escritas
Em um dia de chuva
Sobre a essência da vida...
Ana Luiza

domingo, 8 de novembro de 2009

Chuva, filme e a compania das amigas...


Tem dias que é assim, chove o dia td, um quase friosinho num dia de calor intenso, todo mundo querendo um programinha diferente, mas o que prevaleceu, o romance... vontade de ver um filminho, aqueles que já vi, revi, e não me canso de ver, como tudo o que é bom na minha vida...

Assistimos Antes que termine o dia, e sempre choro, mas dessa vez quem ganhou no choro foi a Maricota, chorou de soluçar, a Elisa preferindo que a San morresse, ao invés de Yan, e eu querendo um amor assim... eterno, intenso, verdadeiro...

A seguir, o nosso dirty dancing e os corações partidos por Patrick Swayze ter partido dessa, pra melhor... mas em nós o sonho de nos tornarmos uma Jennifer Grey, ou encontrar um Jhonny Castle vida afora... não tem jeito todo mundo quer um romance... a gente sofre quando se apaixona, mas que graça tem viver a vida, sem amar, sem se apaixonar... a Maricota morrendo de rir com meus comentários durante o filme, pois eu sabia decor todas as falas... e ela dizendo, essa Ana é a mais engraçada... um sábado sem net, quase inédito na minha vida, mas a compania delas a mais divertida... choveu a noite toda... saudades de quem está longe...


Aprecie o que tem... Apenas ame!!!

Ana Luiza

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Onze Minutos...

Maria apagou as poucas luzes que tinham ficado acesas, deixando que apenas as chamas iluminassem o ambiente. Comportava-se como se sempre tivesse sabido que aquele era o primeiro passo: reconhecer o outro... saber que estava ali.
Abriu a bolso e pegou uma caneta que comprara num supermercado, qualquer coisa servia...
Isto é para você... Quando comprei, pensava em ter algo para anotar as idéias sobre administração de fazendas. Usei-a durante dois dias, trabalhei até ficar cansada. Ela tem um pouco do meu suor, da minha concentração, da minha vontade, e eu a estou lhe entregando agora...
Depositou a caneta suavemente na mão de Ralf.
- Em vez de comprar-lhe algo que você gostaria de ter, estou lhe dando algo que é meu, realmente meu. Um presente. Um sinal de respeito pela pessoa diante de mim, pedindo que ela compreenda o quanto é importante estar ao seu lado. Agora ela tem consigo uma pequena parte de mim mesma, que entreguei de livre e espontânea vontade.
Ralf levantou-se, foi até a estante e voltou com um objeto. Estendeu a Maria.
- Este é um vagão de um trem elétrico que eu tinha quando era menino. Não tinha autorização para brincar com ele sozinho, pq meu pai dizia que era caro, importado dos Estados Unidos. Então, só me restava esperar que ele tivesse vontade de montar o trem no meio da sala, mas geralmente ele passava os domingos escutando ópera. Por isso, o trem sobreviveu à minha infância, mas não me deu nenhuma alegria. Lá em cima tenho guardado todos os trilhos, a locomotiva, as casas, até mesmo o manual; porque eu tinha um trem que não era meu, com o qual eu não brincava...
Quem dera tivesse sido destruído como todos os outros brinquedos que ganhei e de que não me lembro, porque esta paixão de destruir faz parte da maneira como a criança descobre o mundo. Mas este trem intacto me lembra sempre uma parte da minha infância que eu não vivi, pq era preciosa demais, ou trabalhosa demais para o meu pai. Ou talvez porque, cada vez que montava o trem, tivesse medo de demonstrar o seu amor por mim.
Maria começou a olhar fixamente o fogo na lareira. Algo estava acontecendo - e não era o vinho, nem o ambiente acolhedor. Era a entrega de presentes.
Ralf também se virou para o fogo. Ficaram calados, escutando o creptar das chamas. Beberam vinho, como se não fosse importante dizer nada, falar nada. Apenas estar ali, um com o outro, olhando na mesma direção.
- Tenho muitos trens na minha vida - disse Maria, depois de um tempo. - Um deles é o meu coração. Também só brincava com ele quando o mundo colocava os trilhos, e nem sempre era o momento certo.
- Mas você amou.
-Sim, eu amei, eu amei muito. Eu amei tanto que, quando o meu amor me pediu um presente, eu tive medo e fugi...
- Não entendo.
- Não precisa... Estou lhe ensinando, porque descobri algo que não sabia. O presente... a entrega de alguma coisa que é sua. Dar antes de pedir algo que seja importante... você tem meu tesouro: a caneta com que escrevi alguns dos meus sonhos. Eu tenho seu tesouro: o vagão de trem, parte da infância que você não viveu.
"Eu agora carrego comigo parte do seu passado, e você guarda consigo um pouco do meu presente. Que bom."
Disse isso tudo sem pestanejar, sem estranhar seu comportamento, como se soubesse havia muito tempo que esta era a melhor e única maneira de agir. Levantou-se com suavidade, pegou seu casaco no cabide, e deu-lhe um beijo no rosto. Ralf Hart, em nenhum momento, fez menção alguma de levantar-se de onde estava, hipnotizado pelo fogo, possivelmente pensando em seu pai...
- Nunca entendi direito porque guardava esse vagão. Hoje ficou claro: para entregar-lhe em uma noite de lareira acesa.
Agora esta casa fica mais leve.
Ele disse que no dia seguinte ia doar os trilhos, locomotivas, pastilhas que imitavam fumaça, a algum asilo.
Tratava de livrar-se de algo que custa ainda mais caro ao nosso coração...
Aprendi que esperar é a parte mais difícil, e quero também me acostumar com isso; saber que você está comigo, mesmo que não esteja ao meu lado...

Paulo Coelho