domingo, 27 de junho de 2010

O peso que a gente leva...

O peso que a gente leva..
Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?
As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?
Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.
É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências.
E nisso mora o encanto da viagem.
Viajar é descobrir o mundo que não temos.
É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.
E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar:
“Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!”
Ele tinha razão.
A partida nos abre os olhos para o que deixamos.
A distância nos permite mensurar os espaços deixados.
Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo.
Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.
É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.
Vida e viagens seguem as mesmas regras.
Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver.
Por isso é tão necessário partir.
Sair na direção das realidades que nos ausentam.
Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias...
Hospitais, asilos, internatos...
Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.
Andar na direção do outro é também fazer uma viagem.
Mas não leve muita coisa.
Não tenha medo das ausências que sentirá.
Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos.
Eles não lhe permitirão encontrar o outro.
Viaje leve, leve, bem leve.
Mas se leve...

O que da vida não se descreve...

Eu me recordo daquele dia.
O professor de redação me desafiou a descrever o sabor da laranja.
Era dia de prova e o desafio valeria como avaliação final.
Eu fiquei paralisado por um bom tempo, sem que nada fosse registrado no papel.
Tudo o que eu sabia sobre o gosto da laranja não podia ser traduzido para o universo das palavras.
Era um sabor sem saber, como se o aprimorado do gosto não pertencesse ao tortuoso discurso da epistemologia e suas definições tão exatas.
Diante da página em branco eu visitava minhas lembranças felizes, quando na mais tenra infância eu via meu pai chegar em sua bicicleta Monark, trazendo na garupa um imenso saco de laranjas.
A cena era tão concreta dentro de mim, que eu podia sentir a felicidade em seu odor cítrico e nuanças alaranjadas.
A vida feliz, parte miúda de um tempo imenso; alegrias alojadas em gomos caudalosos, abraçados como se fossem grandes amigos, filhos gerados em movimento único de nascer.
Tudo era meu; tudo já era sabido, porque já sentido.
Mas como transpor esta distância entre o que sei, porque senti, para o que ainda não sei dizer do que já senti?
Como falar do sabor da laranja, mas sem com ele ser injusto, tornando-o menor, esmagando-o, reduzindo-o ao bagaço de minha parca literatura?
Não hesitei. Na imensa folha em branco registrei uma única frase.
"Sobre o sabor eu não sei dizer. Eu só sei sentir!
"Eu nunca mais pude esquecer aquele dia. A experiência foi reveladora.
Eu gosto de laranja, mas até hoje ainda me sinto inapto para descrever o seu gosto.
O que dele experimento pertence à ordem das coisas inatingíveis.
Metafísica dos sabores? Pode ser...O interessante é que a laranja se desdobra em inúmeras realidades. Vez em quando, eu me pego diante da vida sofrendo a mesma angústia daquele dia.
O que posso falar sobre o que sinto?
Qual é a palavra que pode alcançar, de maneira eficaz, a natureza metafísica dos meus afetos?
O que posso responder ao terapeuta, no momento em que me pede para descrever o que estou sentindo? Há palavras que possam alcançar as raízes de nossas angústias?
Não sei. Prefiro permanecer no silêncio da contemplação.É sacral o que sinto, assim como também está revestido de sacralidade o sabor que experimento.
Sabores e saberes são rimas preciosas, mas não são realidades que sobrevivem à superfície. Querer a profundidade das coisas é um jeito sábio de resolver os conflitos. Muitos sofrimentos nascem e são alimentados a partir de perguntas idiotas. Quero aprender a perguntar menos.
Eu espero ansioso por este dia.
Quero descobrir a graça de sorrir diante de tudo o que ainda não sei.
Quero que a matriz de minhas alegrias seja o que da vida não se descreve...

sábado, 26 de junho de 2010

Da Minha Precoce Nostalgia...

Um dia, quando eu envelhecer, quero ser exatamente como a personagem dessa história...
Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, um dia bem bonito de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Vinho do Porto, dizer a minha neta:- Querida, venha cá.
Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado.
Eu tenho umas coisas pra te contar.
E assim, dizer apontando o indicador para o alto:- O nome disso não é conselho.
Isso se chama colaboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões.
E agora, do alto dos meus 82 anos, eu quero dividir com você...Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
É preciso ter coragem para ser feliz...
Então minha neta seja valente...
Siga sempre o seu coração.
Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
E satisfaça os seus desejos.
Esse é seu direito e obrigação.
Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer,mas a escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
Tenha poucos e bons amigos.
Tenha filhos. Tenha um jardim.
Aproveite, mas aproveite bem a sua casa, mas viaje, vá a Fernando de Noronha, ao Pantanal, ao Rio de Janeiro.
Cuide bem dos seus dentes.
Experimente, mude, corte os cabelos.
Ame. Ame pra valer, mesmo que eleseja o carteiro.
Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..."
“Ah, se eu tivesse ido...”
Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro éimprevisível.
Tenha uma vida rica de vida. Uma vida rica de vida e de verdade...
Verdade acima de tudo...
Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor.
E tome contasempre da sua reputação, ela é um bem inestimável.
Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elasinventam também detalhes, detalhes desnecessários e mentirosos...
E se for se casar, faça por amor.
Não faça por segurança, carinho ou status.
A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, ah, mas isso pode ser um saco!
Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa deotimizar os genes na reprodução, sugere que você procure alguémdiferente de você.
Mas para ter sucesso.
Pra ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão.
É o seu nariz quem diz a verdade quando oassunto é paixão.
Se o casamento não der certo, opte, opte pela vida
Faça do fogão, do pente, da caneta e do papel, seusinstrumentos de criação. Leia. Pinte, desenhe, escreva.
E por favor, dance, dance,dance, dance, dance até o fim, se não por você, faça-o por mim.
Compreenda seus pais.
Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.Cultive os bons amigos.
Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor.
Ah e não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessavida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.
Era isso que eu queria dizer minha querida.
Agora é a sua vez.
Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte:
Conte aqui pra sua avó...Como vai você

Maria Sanz Martins
Sonhos é o que não me faltam...

Ana Luiza

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Perdão

“Perdão é isso: você pega a metade da razão de um e da razão do outro e tem uma inteireza. Perdão é abrir mão de ser inteiro na razão.
Se a gente continuar querendo ser inteiro, não sobra espaço para o outro.
O caminho que nos faz reconciliar é o significado que um tem para o outro.
Muitas vezes, nossa incapacidade de perdoar o outro surge porque a gente só pensa no que o outro fez.
A gente só consegue perdoar quando pensa o que outro é e não apenas no que ele fez.
A gente só perdoa quando esquece o que o outro fez e pensa no que aquela pessoa é para nós. Qual o significado que nos une.
O significado prevalece sobre o acontecimento.
Acontecimentos são temporários – as pessoas mudam -, o significado permanece”.
No calor da mágoa, da decepção todos nós nos achamos incapazes de perdoar.
Pode ser um decepção amorosa, uma briga entre irmãos, pais, amigos…
A capacidade de perdoar passa pela nossa reflexão sobre o que aquela pessoa que nos magoou significa para nós.
A chance dessa pessoa mudar e rever seus atos, pelo simples fato dela significar muito para nós é resultado de nossa capacidade de amar o outro.
As pessoas mudam e podem a partir de um erro serem melhores e caberá a nós sabermos se mais importante do que um erro é o relacionamento com aquele outro.
Um outro que pode ser pai, mãe, amigo, namorado, irmão.
Claro que há situações em que o outro e sua atitude pouco importam, mas quando não é essa a situação mais vale refletirmos e avaliamos se vale a pena perdoar a optar por sofrer a vida inteira por orgulho.
Padre Fábio de Mello

O Inacabado que há em mim...

Eu me experimento inacabado.
Da obra, o rascunho.
Do gesto, o que não termina.
Sou como o rio em processo de vir a ser.
A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro.
O rio é a mistura de pequenos encontros.
Eu sou feito de águas, muitas águas.
Também recebo afluentes e com eles me transformo,
O que sai de mim cada vez que amo?
O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim?
Eu me transformo em outros?
Eu vivo para saber.
O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado.
O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência.
Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos.
Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos.
Por vezes o cansaço me faz querer parar.
Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta.
Os encontros são muitos; as pessoas também.
As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração.
É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.
Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.
Melhor mesmo é continuar na esperança de confluências futuras.
Viver para sorver os novos rios que virão.
Eu sou inacabado.
Preciso continuar.
Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim.
Um dia sou multidão; no outro sou solidão.
Não quero ser multidão todo dia.
Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só.
Eu sou assim.
Sem culpas.

Porque era ele... Porque era eu...

“Se me obrigassem a dizer porque o amava, sinto que a minha única resposta seria:
Porque era ele, Porque era eu.”
Michel de Montaigne


Minha mãe sempre diz:
Não há dor que dure pra sempre!
Tudo é vário.
Temporário.
Efêmero.
Nunca somos, sempre estamos!
E apesar de saber de tudo isso.
Porque algumas dores duram tanto?
Porque alguns sentimentos (diga-se de passagem os mais ridículos) demoram tanto a passar?Porque olhar pra ele reaviva esperanças pedidas e suscitas lágrimas quentes até então contidas?Porque o cérebro ainda não inculcou no coração que esquecer faz bem a saúde?
Porque tudo não pode ser como um bonito filme francês?

Chico Buarque

Não é raro, tropeço e caio... Às vezes tombo feio de ralar o coração todinho, claro que dói, mas tem uma coisa... a minha fé continua em pé!!!
Ana Luiza

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Hoje Acordei Inteira

Migalhas? Pedaços? Não, obrigada...
Não gosto de nada que seja metade.
Não gosto de meio termo.
Gosto dos extremos. Gosto do frio.
Gosto do quente.
Gosto dos dedinhos dos pés congelados ou do calor que me faz suar o cabelo.
Não gosto do morno.
Não gosto de temperatura-ambiente.
Na verdade eu quero tudo... ou quero nada.
Por favor, nada de pouco quando o mundo é meu.
Não sei sentir em doses homeopáticas.
Sempre fui daquelas que falam "eu te amo" primeiro.
Sempre fui daquelas que vão embora sem olhar pra trás.
Sempre dei a cara à tapa.
Sempre preferi o certo ao duvidoso.
Quero que se alguém estiver comigo, que esteja.
Mesmo que seja só naquele momento.
Mesmo que mude de idéia no dia seguinte.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Andrea Doria

Às vezes parecia que, de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo,
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais:
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro.
Mas percebo agora
Que o teu sorriso vem diferente,
Quase parecendo te ferir.
Não queria te ver assim
- Quero a tua força como era antes.
O que tens é só teu
E de nada vale fugir e não sentir mais nada.
Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentamos ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço.
Eu sei - é tudo sem sentido.
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que depois não use o que eu disse contra mim.
Nada mais vai me ferir.
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui
E com a minha própria lei.
Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais,
Como sei que tens também...
Legião Urbana

domingo, 20 de junho de 2010

O Diário da Nossa Paixão






Esse é um livro de perda (mas não para a tragadora de vidas), amor e reconquista.

Noah e Allie tiveram um lindo amor de verão e por diferenças de classe social, foram obrigados a se separar. Sete anos depois, eles se reencontram e descobrem que ainda se amam.
Noah venceu na vida e está satisfeito com o que tem...
Mas se sente incompleto. Falta o amor...
O amor de Allie.
Apesar de se reencontrarem e saberem que ainda se amam, as coisas mudaram...
Allie está noiva de um homem maravilhoso. Que realmente a ama.
Ela foi ver Noah apenas para contar sobre sua vida e ver com os próprios olhos um dos sonhos que ele realizou.
Mas ela não consegue se afastar e novamente eles vivem seu amor...
Mas Allie terá que escolher entre Noah e o noivo. Ela faz a sua escolha e vive anos muito felizes ao lado do seu amor e dos seus filhos...
Mas, já na velhice, a doença que rouba as memórias, a faz esquecer tudo o que viveu.
Mas através das memórias de uma pessoa querida, é lhe contada toda sua história.
Um pequeno resumo:" Todas as manhãs ele lê para ela, de um caderno desbotado pelo tempo, uma história de amor que ela não recorda nem compreende.
Um ritual que se repete diariamente no lar de idosos onde ambos vivem agora.
Pouco a pouco, ela deixa-se envolver pela magia da presença dele, do que ele lhe lê, pela ternura dele...
E o milagre acontece.
A paixão renasce, transpõe o abismo do tempo, o abismo da memória, e por instantes ela volta para ele... Apesar da doença.
Mas haverá mais. Um livro escrito com uma força delicada e comovente, uma beleza surpreendente e arrebatadora como há muito já não se encontrava na literatura recente.

" Há cartas que Noah escreveu para Allie que muito me emocionaram:



" A razão porque dói tanto separar-nos é porque as nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem.Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma nos tenhamos reencontrado. E talvez em cada uma tenhamos sido separados pelos mesmos motivos.
Isto significa que esta despedida é, ao mesmo tempo, um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio ao que virá.


Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram mais fortes e, cada vida que viveste. E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura.
Não de alguém como tu, mas de ti, porque a tua alma e a minha têm de andar sempre juntas.
E assim, por uma razão que nenhum de nós entende, fomos obrigados a dizer adeus um ao outro.
Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que assim será.
Mas se nunca nos voltarmos a encontrar e isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos ainda noutra vida.
Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós não apenas nos amemos nesse tempo, mas por todos os tempos que tivemos antes."


"Queridíssima Allie
Não sei mais o que dizer exceto que não pude dormir na noite passada porque sabia que tudo acabou entre nós. É um sentimento diferente para mim, algo que nunca esperei, mas, olhando para trás, suponho que não poderia ter acabado de outra maneira.
Tu e eu éramos diferentes. Viemos de mundos diferentes, e, no entanto, foi você quem me ensinou o valor do amor. Mostraste-me o que era gostar de outra pessoa, e sou um homem melhor por causa disso.
Quero que nunca o esqueças.
Não me sinto amargo pelo que aconteceu...Pelo contrário. Estou seguro no conhecimento deque o que nós tivemos foi real, e fico feliz por nos ter sido possível estar juntos mesmo por um breve período de tempo.
E se, em algum lugar distante do futuro, nos virmos um ao outro nas nossas vidas, sorrirei para ti com alegria, e recordarei como passamos um verão debaixo das árvores, aprendendo um do outro e crescendo em amor.
E talvez, por um breve momento, tu também o sintas, e sorrias também, e saboreies as memórias que sempre partilharemos.
Amo-te, Allie.
Noah"


"Sou quem sou por causa de ti. Tu és todas as razões, todas as esperanças, e todos os sonhos que sempre tive, e o que quer que nos aconteça no futuro, cada dia em que estamos juntos é o melhor dia da minha vida.
Serei sempre teu. E, minha querida, serás sempre minha. Noah".


Esse aqui é um trecho da carta da Allie: "Por favor não fiques zangado comigo nos dias em que não me lembrar de ti, e ambos sabemos que virão. Sabe que te amo, que sempre te amarei, e que o que quer que aconteça, sabe que eu vivi a melhor vida possível. A minha vida contigo.
E se guardares esta carta para a leres outra vez, acredita então no que agora estou a escrever para ti. Noah, onde quer que estejas e quando quer que isto seja, amo-te.
mo-te agora enquanto escrevo isto, e amo-te agora enquanto lês isto. E lamentarei muito se não for capaz de te dizer. Amo-te profundamente meu marido. És, e foste sempre, o meu sonho.
Allie".

domingo, 13 de junho de 2010

Não Foi Tua Culpa

Nem sempre na vida se joga tão bem,
Se destroem as coisas e os sonhos também,
Nossos olhos se enchem de lágrimas,
Lembrando o que aconteceu
Ninguém nunca nos disse ou tentou ensinar,
Que alguns que se amam podem se odiar,
Quando não se permite ao amor respirar o orgulho consegue ganhar.
Eu sei não é fácil ver desmoronar,
Tua felicidade num castelo de areia,
Ouvir estas vozes na escuridão
Te acusando e reclamando.
Não foi tua culpa e não te enganem com isso,
Não foi tua culpa liberta-te desse peso
Não te tortures pensando que mal tens feito
Se Deus não te acusa ninguém mais tem o direito
Não foi tua culpa
Não tenha vergonha se queres chorar
Tens uma ferida que deve curar
E se queres olhar a diante o passado se deve sarar
Eu sei não é fácil falar de perdão
O ódio atrapalha e escurece a razão
Já não busques culpados em teu coração
Mas um refugio onde possas amar
Tenha coragem e segue lutando
Há muito por amar e Deus não pensa em deixar-te
Se andam falando que a história acabou
A verdade é outra apenas está começando
Não foi tua culpa que não te enganem com isso,
Não foi tua culpa liberta-te desse peso
Não te tortures pensando que mal tens feito
Se Deus não te acusa ninguém mais tem o direito
Tens mais uma chance de ser feliz
Ainda pode dizer ao amor
Que sim ...Que sim...
Padre Fábio de Mello

A vida continua

Hoje acordei com aquela vontade enorme de viver, o que passou não tem mais conserto e eu sei que vou seguir em frente, como sempre fiz, estou me reerguendo, tentando ser feliz e eu tenho certeza que eu vou conseguir, as portas da amizade foram fechadas, por erros cometidos e não entendidos, cabe a cada um saber o que é melhor pra si... não vou ficar me lamentando pelo que passou, pelo que aconteceu, agora não adianta chorar pelo leite derramado, o que importa é o que eu serei, quem eu serei daqui pra frente, Deus sempre nos da forças para nos levantar após cada tombo, hj vejo que nada de grave eu fiz, não matei ninguém, não roubei, não destrui nada, não tenho culpa, pedi perdão a Deus, ele já me perdoou, pq meu coração está leve e em paz, as pessoas as vezes não são capazes de te olhar nos olhos e dar uma segunda chance, não quero inimigos, agora vou brilhar na vida das pessoas que estão comigo, e que querem estar comigo, e td mundo é feliz por isso, e eu também sou... Agora novos sonhos, novas coisas, uma nova vida, estou me formando, é um sonho realizado, mais um, o universo sempre conspira mesmo a favor dos sonhadores, e agora chegou a hora de um novo trabalho, novas buscas, novos projetos, e a minha vontade enorme de realizar td, de ir em frente, nunca estive tão perto de Deus como hoje, sempre dizem, se não aprendemos pelo amor, aprendemos pela dor, aprendi pela dor que de Deus estava tão distante, logo eu que sempre o coloco a frente de td... mas hj ele está aqui comigo, cuidando de mim, do meu coração e da minha alma, e isso já é motivo suficiente para me levantar e acreditar que eu sou melhor do que todos os obstáculos, melhor do que toda essa história, se a amizade acabou é pq não tem motivos para permanecer, e se os motivos que fizeram essa amizade permanecer por 8 anos não foram suficientes para seguir em frente, é pq não tiveram valor algum... então, a vida continua...
Ana Luiza

sábado, 12 de junho de 2010

Duas Bolas Por Favor

Não há nada que me deixe mais frustrada do que pedir sorvete de sobremesa, contar os minutos até ele chegar e aí ver o garçom colocar na minha frente uma bolinha minúscula do meu sorvete preferido. Uma só. Quanto mais sofisticado o restaurante, menor a porção da sobremesa. Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência, comprar um litro de sorvete bem cremoso e saborear em casa com direito a repetir quantas vezes a gente quiser, sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação. O sorvete é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano. A vida anda cheia de meias porções, de prazeres meia-boca, de aventuras pela metade. A gente sai pra jantar, mas come pouco.
Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.
Conquista a chamada liberdade sexual, mas tem que fingir que é difícil (a imensa maioria das mulheres continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').
Adora tomar um banho demorado, mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.
Tem vontade de ficar em casa vendo um dvd, esparramada no sofá, mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai. Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar', tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...
Aí a vida vai ficando sem tempero, politicamente correta e existencialmente sem-graça, enquanto a gente vai ficando melancolicamente sem tesão...
Às vezes dá vontade de fazer tudo “errado”.
Deixar de lado a régua, o compasso, a bússola, a balança e os 10 mandamentos.
Ser ridícula, inadequada, incoerente e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito.
Recusar prazeres incompletos e meias porções.
Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem, podemos (devemos?) desejar várias bolas de sorvete, bombons de muitos sabores, vários beijos bem dados, a água batendo sem pressa no corpo, o coração saciado.Um dia a gente cria juízo. Um dia... Não tem que ser agora.Por isso, garçom, por favor, me traga: cinco bolas de sorvete de chocolate... Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.

Danuza Leão

sexta-feira, 11 de junho de 2010

As Cartas Que Não Mando

Rio de Janeiro
Hoje é 23 do 3
Como vão as coisas
De mês em mês
Eu me sento pra escrever pra você
Eu reformei a casa
Você não soube disso
Nem das outras coisas
Sabe eu tive um filho
Faz tempo que eu me perdi de você
Guardo pra te daras cartas que eu não mando
Conto por contarEu deixo em algum canto (2x)
Eu vi alguns amigos
Tropeçando pela vida
Andei por tantas ruas
São estórias esquecidas
Que um dia eu quis contar pra você
Eu fico imaginando sua casa e seus amigos
Com quem você se deita
Quem te dá abrigo
Eu me lembro que eu já contei com você
Guardo pra te dar as cartas que eu não mando
Conto por contar
Eu deixo em algum canto
E as pilhas de envelopes
Já não cabem nos armários
Vão tomando meu espaço
Fazem montes pela sala
E hoje são a minha camaMinha mesa, meus lençóis
E eu me visto de saudades
Do que já não somos nós
Guardo pra te daras cartas que eu não mando
Conto por contar
Eu deixo em algum canto
Leoni

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sem vontade para escrever...
Sem vontade de viver...